Toda pessoa que canta uma canção pode ser considerada cantora, mas a palavra cantor ou cantora é atribuída à pessoa que se ocupa muito mais tempo com a canção; seja o amador, que canta muito, mas por diletantismo e sem nenhuma remuneração, ou o profissional que canta e é remunerado por cantar. Existe a profissão do cantor, que em todos os povos têm uma preeminência social muito grande. O cantor tem uma função de pedagogo, de animador e incentivador do povo, de profeta da alegria, da festa, da dança, mas também de profeta da dor, dos sentimentos, das esperanças e da mágoa de um povo. Se for preciso faz-se bardo, trovador, cantor de ruas e de estradas, bobo da corte. Mas, ao cantar, quer mexer com as pessoas. Nenhum cantor canta um canto indiferente. Ele transforma em canções a vida e o cotidiano do povo e, suas canções servem como discurso político, religioso, ou social. Por isso, todas as vezes que nos referimos aos cantores estamos falando de cidadãos que, através da harmonia entre a palavra e a canção, motivam o povo. A missão do cantor que se leva a sério é uma das missões mais importantes do ser humano. A canção pode não ser a coisa mais importante numa vida, mas as canções de um povo têm um significado social muito profundo. Ninguém deveria cantar por cantar: trata-se de uma missão social, política e espiritual. De certa forma, todo cantor de músicas profanas ou religiosas é um missionário. Paul Anka com o seu My Way, Chico Buarque com o seu A Banda, John Denver com Perhaps Love e tantos outros cantores como Milton Nascimento e Roberto Carlos com suas canções que elevam o ser humano fizeram um excelente trabalho missionário.
Mostraram um dos lados densos da vida. São e foram profetas. Somos cantores como os outros mas não cantamos como qualquer outro. Cremos que Deus nos ouve quando cantamos. Um dos nossos ouvintes é o criador do Universo. E isso explica porque os cantores religiosos gostam tanto dos cantos de louvor e de súplica!

Pe. Zezinho, scj (pezscj@uol.com.br)
www.padrezezinhoscj.com - Taubaté-SP
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