Paulo, missionário de todos os povos
Na Igreja primitiva Paulo foi um dos primeiros homens a ter a consciência de que a salvação operada por Jesus Cristo é universal, ou seja, destinada a todos os povos. Em seu ardor missionário, Paulo de Tarso nutria em seu coração de Apóstolo a constante preocupação de expandir entre os gentios o Evangelho de Cristo. Bem cedo, logo no início de sua vocação, Paulo percebeu que existia um amplo mundo por conquistar para o nosso Redentor. Graças ao árduo trabalho realizado por esse missionário, todo o mundo antigo, sobretudo, Roma e Grécia, se tornaram um frutuoso campo de batalha em prol da fé que se abria para a sua missão e para a sua vocação.
Após a sublime revelação que o Senhor lhe concedeu em Damasco, Paulo soube “esperar em silêncio”. (Lam 3, 26). Passados alguns anos, Paulo saiu em missão rumo a Chipre, à Arábia, a Antioquia, à Galácia, a Atenas, a Corinto, a Éfeso e à Ilíria. Pela sua docilidade às inspirações do Espírito Santo, o Cristianismo penetrou definitivamente no mundo cultural greco-romano e, aos poucos, se dava o triunfo de Cristo sobre os pagãos que, tendo conhecimento da revelação, abandonavam a prática das orgias, os concubinatos e outras formas de concupiscência. Anunciando o Evangelho, Paulo sofreu com Cristo, incorporou-se n’Ele, tornou-se semelhante a Ele.
A vocação missionária de Paulo foi concretizada na constante sucessão de suas idas e vindas às diversas comunidades que ele ajudou a edificar. Aos irmãos na fé, entre eles Barnabé, ele dizia: “Tornemos a visitar os irmãos por todas as cidades onde pregamos a Palavra do Senhor para ver como passam”. (At 15,36). Anunciar a Boa Nova, confirmar os bons propósitos, denunciar os erros, acolher os penitentes, encorajar os fiéis, tudo isso e muito mais foi realizado pelo Apóstolo dos gentios. Por ter sido um perseguidor dos cristãos, no início de sua missão, Paulo teve que enfrentar os medos e os receios de muitos. Diante dessa situação, ele afirmava: “Eu encontrei misericórdia, para que em mim, como primeiro, Cristo Jesus demonstrasse toda a grandeza de Seu coração; Ele fez de mim um modelo de todos os que crêem n’Ele para alcançar a vida eterna”. (1 Tm 1,16). Ele ainda dizia: “Esquecendo o que fica para trás, eu me lanço para o que está na frente”. (Fl 3, 13). Pela fidelidade que demonstrou aos projetos do Senhor, a conversão e o exemplo de Paulo brilham na Igreja como fonte perene de esperança para todos, pois se um dos maiores perseguidores do Cristianismo caiu do cavalo e se tornou um autêntico propagador da doutrina cristã, certamente, ninguém é irrecuperável, pois Deus continua atuando nas almas e nos corações, gerando, continuamente, novas e sólidas conversões em nosso meio.
Por vontade expressa de Cristo, a salvação alcançou Paulo. Pelo contínuo trabalho missionário de Paulo, a salvação alcançou inúmeros povos, pois “o primeiro entre todos, chamado pelo Senhor mesmo para ser um verdadeiro Apóstolo, é, sem dúvida, Paulo de Tarso. A história de Paulo, o maior missionário de todos os tempos, descreve, em muitos aspectos, qual seja o nexo entre a vocação e a missão”. (Mensagem do Papa Bento XVI para a Jornada de oração pelas vocações de 2008). Todo aquele que quer realizar sua vocação de missionário de Jesus Cristo deve perceber que São Paulo nos alenta a continuar, com espírito renovado, a missão evangelizadora da Igreja, dando novo vigor à catequese contínua e proclamando nosso Salvador como a única e autêntica fonte de nossas esperanças.
Por ser portador de uma cultura invejável, Paulo soube anunciar com sabedoria e coragem a Boa Nova da Salvação, até mesmo aos filósofos, aos sábios e aos doutores da lei do mundo greco-romano. Como missionário, Paulo não se limitava somente a trabalhar buscando novas conversões, pois ele também acompanhava, com o carinho de um bom pastor, as dificuldades, as alegrias e as necessidades dos novos fiéis. Aos coríntios, ele afirmava: “Pesa sobre mim a solicitude de todas as igrejas. Quem adoece que eu não adoeça? Quem cai, sem que eu também fique febril?”. (2 Cor 11, 28). Exercendo a obra missionária na Igreja primitiva, em plena sintonia com Pedro e os demais Apóstolos, “Paulo pregava com toda a liberdade e sem que ninguém o incomodasse o Reino de Deus e a doutrina sobre o nosso Senhor Jesus Cristo”. (At 28, 30-31).
No cumprimento de sua vocação missionária, Paulo congregou diversos povos: judeus e gregos, romanos e árabes. Anunciando a doutrina social da Igreja, ele falou em defesa da libertação das pessoas de sua condição de escravos e deixou claro que diante do Cristo não há senhores e patrões, donos e escravos, mas unicamente filhos resgatados pelo amor. Foi o amor por nosso Redentor que moveu São Paulo em direção às novas messes. Peçamos a São Paulo a oportuna graça de um fecundo empenho missionário, para que possamos levar a mensagem da salvação aos novos areópagos do mundo contemporâneo! Peçamos a São Paulo a graça de fundar novas comunidades cristãs onde os carismas e os dons do Divino Espírito sejam sempre acolhidos, compartilhados e vivenciados! São Paulo Apóstolo, missionário de todos os povos, rogai por nós!
Aloisio Parreiras
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